MENSAGEM
PENSAMENTO
– 19
Conforme
consta do Evangelho segundo Lucas, em dado momento
Jesus enviou Seus discípulos para pregar
e curar.
Dentre as exortações, orientou como
deveriam se comportar, caso eles e suas ideias
não fossem acolhidos em algum lugar.
Nessa hipótese, os discípulos deveriam
se retirar e sacudir o pó de seus pés.
Há quem veja nessa forte expressão
um anátema lançado contra os descrentes.
Contudo, isso destoa do conjunto da mensagem do
Cristo.
Jesus ensinou e exemplificou a compaixão
e não fugiu do contato com os equivocados
do Mundo.
Afirmou mesmo que os sãos não necessitam
de remédio.
Uma coerente interpretação da exortação
é no sentido de que os discípulos
não deveriam conservar qualquer rancor.
Ao se despedir de quem não os havia aceitado
e compreendido, deveriam seguir de alma leve.
Bater o pó dos pés equivaleria a
se livrar de todo traço de impureza, no
sentir e no pensar.
Trata-se de uma lição preciosa,
cuja aplicação permite permanecer
em paz em face da incompreensão.
É comum a criatura idealista desejar partilhar
seus sonhos e projetos de um mundo melhor.
Ela se toma de natural tristeza quando não
é compreendida.
Esse sentimento é ainda mais forte quando
são seus amores que não a entendem.
Por exemplo, um pai rigorosamente honesto que
não consegue convencer os próprios
filhos a lhe seguirem os exemplos.
Uma esposa tomada do ideal da caridade que encontra
resistência no próprio esposo, quanto
a seus atos generosos.
Um professor apaixonado pelo saber que depara
com alunos preguiçosos.
Nessas experiências decepcionantes, é
preciso sacudir o pó dos pés.
Compreender que a liberdade é uma lei da
vida e não esperar dos outros o que ainda
não podem ou não querem dar.
A construção de um mundo melhor
não se faz sem sacrifícios.
Quem esposa o ideal de um padrão ético
superior é um homem do amanhã.
Ele vive hoje o que a maioria viverá mais
tarde.
Sua função é a de um semeador
do bem.
Com seu exemplo, demonstra a possibilidade de
ser honrado e generoso.
Com suas palavras, exorta os que o rodeiam a imitá-lo.
Mas não pode impor suas ideias.
Cada alma amadurece a seu tempo para as grandes
verdades da vida.
Perante incompreensões, resta a tranquilidade
da consciência pelo dever bem cumprido.
E também a certeza de que, mais cedo ou
mais tarde, as sementes do bem produzirão
saborosos frutos.
Compete a cada homem colaborar para que o mundo
se aprimore e os costumes se purifiquem.
Entretanto, o resultado de seus esforços
repousa nas mãos de Deus.
Com o inesgotável recurso do tempo, Ele
assegura que, no momento adequado, o bem se torne
pujante, no íntimo de cada ser.
Pense nisso.
Redação do Momento Espírita.
Em 02.09.2009.
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